Campânula : A Arte das Campainhas Guardada numa Caixa de Moldar

Os Campânula – também conhecidos como Campanula Herminii – são um aventureiro grupo musical da Guarda que parte das paisagens sonoras da Serra da Estrela, nomeadamente da arte dos campainheiros, para fazer uma música ousada e actual. Foi assim em “Maçainhas” e “Cumeada”, os seus dois primeiros álbuns, e é assim em “Caixa de Moldar”, o novíssimo disco. O comunicado oficial (e o link para audição do álbum, via Bandcamp, em baixo):

Novo disco “Caixa de Moldar”

Volvidos 17 anos desde a sua formação, os Campânula apresentam o seu terceiro disco – Caixa de Moldar. Fiéis à sua identidade, onde o ritmo, a energia e a improvisação têm lugar privilegiado, este trabalho continua a ter como ponto de partida, as campainhas de bronze, em tempos fabricadas de forma artesanal na aldeia de Maçainhas, na Guarda. À semelhança dos anteriores trabalhos – “Maçainhas” (2001) e “Cumeada” (2011), o grupo continua a ter presente a inspiração do pastor transumante, ainda que o resultado final seja uma música contemporânea, marcada pela vivência de infância e memórias imaginárias dos seus elementos, respeitando as proveniências musicais de cada um.

Os Campânula

Os Campânula são um coletivo nascido na cidade da Guarda, cuja génese se relaciona com a homenagem ao ofício de campainheiro, desenvolvido desde há alguns séculos na povoação de Maçainhas. No sentido de perpetuar a memória cultural desta arte (infelizmente “suspensa”), a sua música procura também inspiração no cenário que rodeia o pastor transumante, no seu âmago e na interatividade com o espaço envolvente.

Formação

Joaquim Rodrigues | Teclados, Piano, Melódica, Toy Piano
Miguel Cordeiro | Teclados
Luís Ribeiro | Guitarra Elétrica, Viola Beiroa
João Guimarães | Saxofone Soprano, Flauta, Clarinete
Pedro Lucas | Baixo
Marcos Cavaleiro | Percussão
Ricardo Coelho | Percussão

As campainhas de bronze e o último campainheiro de Maçainhas

A paisagem serrana, em época primaveril de pastoreio, entoava os sons ímpares destas campânulas metálicas, anunciando vida em montes e vales hoje inundados de silêncio. Tudo mudou.

Arte secular em que a tradição em redor da continuidade mandava que esta fosse passada ao filho mais novo da família, António Bernardo da Fonseca, o último campainheiro de Maçainhas (Guarda), aprendeu com o seu padrinho, por vontade de sua mãe.

António Fonseca utilizava um processo de fabrico rudimentar, que passava por duas fases: fundição e acabamento. No final, depois de prontas, polidas e brilhantes, assemelhavam-se a uma família alinhada, da mais pequena à maior. Catorze campainhas: doze da coleção original e mais duas introduzidas por António Bernardo, a maior marcada com uma estrela de cinco pontas, emblemática da região de origem – a Serra da Estrela, em homenagem aos pastores. Cada peça tem um som próprio, inigualável, cujo segredo assenta nas porções certas de metal e na sua superior pureza.

A CAMPÂNULA

Com as campainhas de bronze de Maçainhas, e no intuito de procurar novas abordagens, construímos um instrumento a que chamamos CAMPÂNULA, cujo princípio se assemelha a um metalofone. Todas as composições musicais partem e se desenvolvem em função deste instrumento.

A Campanula herminii

A Campanula herminii é uma espécie de planta da família Campanulaceae, endémica do planalto superior da Serra da Estrela. O epíteto específico (herminii) faz referência aos Montes Hermínios, nome por que também é designada a Serra da Estrela, pelo que o seu nome comum é Campainha-da-Estrela.

A escolha do nome para o grupo relaciona-se diretamente com a forma da flor, fazendo lembrar uma campainha (daí o seu nome) e também pelo facto de habitar as áreas mais remotas da Serra da Estrela, uma montanha que sempre preencheu o imaginário dos elementos do grupo.

Ouvir aqui: https://campanula.bandcamp.com/releases

Campânula_Ilustração