Rock in Rio Lisboa : Desta Vez Vai Haver Uma Rua com Muita Música Africana (Todos os Nomes)

Se os blues (e, por arrasto, o jazz, o rock, o funk e mil reticências) nasceram em África e se desenvolveram nos Estados Unidos, a música do Rio de Janeiro e de Lisboa evoluíram de forma mais ou menos paralela a partir do encontro de portugueses e de africanos… E é por isso, também, que é um marco importantíssimo a abertura de uma rua de nome Rock Street Africa num festival chamado Rock in Rio Lisboa e que vai acontecer este ano pela primeira vez. Com programação a cargo de Paula Nascimento – a mesma que nos ofereceu na década passada o saudoso África Festival – o Rock Street Africa acolhe dias 23, 24, 29 e 30 de Junho, no Parque da Belavista, concertos de Kimi Djabaté (Guiné-Bissau), Tabanka Djaz (Guiné-Bissau), Bonga (Angola), Karlon (Cabo Verde), Baloji (República Democrática do Congo; na foto), Ferro Gaita (Cabo Verde), A’mosi Just a Label (Angola), Nástio Mosquito & DZZZZ Band, Moh! Kouyaté (Guiné-Conacri), Selma Uamusse (Moçambique), Batuk (África do Sul) e Paulo Flores (Angola). O comunicado:

África no Mundo e o Mundo em África

Esta edição, a rua mais disputada da Cidade do Rock promove um encontro entre tradição e modernidade, ao som das músicas de África. Semba, Kilapanga, Funaná, Coladeira, Rumba, Jazz, Rock, Afro-Punk, Kwaito e Kuduro são alguns dos ritmos que vão passar por este Palco, que dá expressão à “música do mundo”. Bonga, Selma Uamusse, Ferro Gaita, Moh! Kouyaté, Paulo Flores, Nástio Mosquito, Kimi Djabaté, entre outros nomes, levam os géneros tradicionais e as sonoridades modernas à EDP Rock Street!

A viagem pelos caminhos das Áfricas vai começar! África do Sul, Angola, Cabo Verde, Gana, Guiné-Bissau, Zimbabué, Mali, Guiné-Conacri, Mauritânia, Moçambique e República Democrática do Congo são alguns dos vários países que estarão representados na EDP Rock Street que, esta edição, usa a música, a arquitetura e os espetáculos de rua para mostrar a riqueza cultural do mais velho continente do mundo.

No evento que decorreu esta tarde no Custom Café da Nirvana Studios foi desvendado o espaço de entretenimento composto por uma programação surpreendente e arrojada. A EDP Rock Street – que esta edição é dedicada a África – apresenta-se como um ponto de encontro: de povos e culturas, de estilos e géneros. Uma rua que retrata a vitalidade criativa do continente africano e que espelha uma cultura global, onde a tradição e a modernidade se encontram, conjugando linguagens e sonoridades distintas que se inspiram, e que inspiram, a música do mundo.

Para Roberta Medina, Vice-Presidente Executiva do Rock in Rio, “a EDP Rock Street é já um sucesso consolidado junto dos visitantes da Cidade do Rock, que a cada edição encontram nesta rua manifestações artísticas e performances ímpares, além de se apresentar como um espaço privilegiado de festa, onde o público se sente ainda mais envolvido, podendo interagir com o espetáculo e com os próprios artistas”. Ana Sofia Vinhas, Diretora de Marca do Grupo EDP, afirma que “esta rua vai ser a mais movimentada da cidade do rock e com a melhor energia. Mais uma vez damos nome à EDP Rock Street, tornando esta rua o palco principal de cultura, de música e arte”.
Tradição convida modernidade!

No dia 23 de junho, o palco da EDP Rock Street estreia-se com o reportório de Kimi Djabaté que enaltece o amor, a amizade e a alegria, seguindo-se o género musical Gumbé de Tabanka Djaz, terminando o primeiro dia ao som de um dos mais belos timbres de África: Bonga.

No dia 24 de junho o Hip Hop abre as hostilidades com samples de ritmos tradicionais de Cabo-Verde de Karlon, seguindo-se o Rock-Rumba e Funk futurista de Baloji e, ainda, Ferro Gaita, banda com sonoridade muito própria, cujo nome surge da combinação de dois instrumentos utilizados na música tradicional de Cabo-Verde.

O segundo fim-de-semana arranca com o ritmo hipnótico que atrai os amantes do Rock e da música Eletrónica de A’Mosi Just a Lable (Jack Nkanga), seguindo-se o músico, performer, poeta, videasta e artista plástico Nástio Mosquito com a sua DZZZZ band. Para encerrar o dia 29 de junho sobe ao palco Moh! Kouyaté, com uma música que reflete a vivência urbana e cosmopolita.

No último dia do festival (30 de junho), a EDP Rock Street fica a cargo das letras em Changana e em Chope (línguas de Moçambique) de Selma Uamusse, seguindo-se a sonoridade moderna de Batuk e, para fechar com chave de ouro, Paulo Flores, uma das principais referências da música de Angola.

Sínopse Palco EDP Rock Street

O programa posiciona a música como linguagem universal e elemento facilitador na natureza. Através da música, a linguagem na nossa comunicação é mais fácil, mais ampla, mais vasta e mais profunda. A música faz-nos sonhar. A música sente-se e dificilmente se explica.

A EDP Rock Street é um ponto de encontro a vários níveis: combina artistas que têm um longo percurso na música e artistas cujos percursos estão a consolidar-se. Combina géneros tradicionais e sonoridades mais modernas ou mesmo vanguardistas – o Semba, o Kilapanga, o Funaná, a Coladeira ou o Batuque, a música tradicional Mandinga, a Rumba, o Jazz, o Rock, o Funk, o Afro-Punk, o Afro-House, o Kwaito, o Kuduro e tantos outros géneros e ritmos, formas híbridas e sonoridades variadas, naquilo que hoje se entende por “música do mundo”. Chama aos projetos e seus protagonistas diferentes países de África: África do Sul, Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Moçambique, República Democrática do Congo. As suas diferentes línguas, instrumentos e geografias. O programa é um apelo a quem gosta de dançar!

Numa perspetiva de encontro, olha para a diversidade cultural que existe no continente africano, para o potencial da criatividade e para a inovação em África. Quer contribuir para um imaginário realista e alargado sobre África que se compõe de sociedades que têm uma riqueza cultural e civilizacional, espiritual, relacional, importantes; sociedades que nasceram no continente mais velho do mundo.

Neste movimento atual, África representa o continente do futuro com uma iminente vitalidade criativa onde o foco é a sua realidade urbana e cosmopolita, os hábitos e os comportamentos da juventude.

A EDP Rock Street diz que queremos viver bem em conjunto e que queremos ser co-construtores da nossa civilização.

Paula Nascimento, curadora EDP Rock Street

Sobre os artistas

Kimi Djabaté

Kimi Djabaté (voz principal, guitarra, balafon), Braima Galissa (kora), Sanha Tamba (baixo), Vie Sissoko (bateria, tambor de água), Sadjo Cassama (guitarra eléctrica).

Músico e compositor, Kimi Djabaté nasce em Tabato, na Guiné-Bissau, um centro de música tradicional mandinga. Nascido no seio de uma família Griot, cultura ancestral da costa ocidental africana cujo principal papel é o de transmitir a tradição através da palavra, poetas-cantores contadores de histórias e conselheiros com um papel social importante, Kimi tem contacto desde muito cedo com a música e com os principais instrumentos da sua cultura: o balafon (xilofone africano), a kora, a tama ou a dundumba. Kimi Djabaté toca guitarra e balafon.

Instala-se em Portugal em 1994, desenvolve o seu trabalho com inúmeras participações internacionais e colabora com vários músicos de exceção como Mory Kanté, Waldemar Bastos, Netos di Gumbé entre outros, comemorando já 30 anos de carreira. Em 2005 lança o seu primeiro álbum a solo Tériké, com edição e distribuição da Globe Music e em 2009 lança Karam com o selo da prestigiada editora Cumbancha, álbum que mereceu destaque no World Music Charts Europe, ocupando a 2ª posição. Em 2016 surge o seu terceiro álbum Kanamalu pela Red Orange Recordings, em CD e com edição limitada em vinil. Kimi Djabaté apresenta um reportório musical que fala sobre temas sociais, realidades políticas e o quotidiano do povo africano, canta a necessidade de mudança e de enaltecer os valores enraizados no amor, na amizade e na alegria, numa homenagem ao povo, alma e espírito de África.

Tabanka Djaz

Micas Cabral (voz principal, guitarra), JuvenalCabral (baixo), Jânio Barbosa (teclas), Paulinho Barbosa (teclas), Cau Paris (bateria), Kabum (percussão), Lars Arens (trombone), Cláudio Silva (trompete), João Capinha (saxofone), Sheila Semedo (coro).

Tabanka Djaz é um dos principais grupos da história da música da Guiné-Bissau que muito contribui para a divulgação do género musical Gumbé, ritmo oriundo da região de Bissau. Popularizado em Portugal na década de 90, o grupo é criado em 1988 e em janeiro de 1990 grava o primeiro álbum Tabanka. Seguem-se Indimigo em 1993 e Sperança que em 1996 consagra definitivamente o grupo ao atingir quarenta mil exemplares vendidos, recebendo da Associação Fonográfica Portuguesa os discos de Prata, Ouro e Platina. Em 1997, ainda com este trabalho, Tabanka Djaz é nomeado para o Ngwomo Africa, grande prémio da música no continente africano. Em 1999 participa no projeto “Lusofonia” e consolida o seu estatuto no panorama musical da música da Guiné-Bissau. Em 2002 edita Sintimento, com participação de Martinho da Vila e do guitarrista guineense Tony Dudu entre outros grandes músicos, um disco que aborda novas sonoridades no seu trabalho. A perda de um importante e querido elemento do grupo, em 2006, o teclista Caló Barbosa e a saída de Dinho Silva em 2008, resultou num longo silêncio discográfico que perdura até 2013 quando é lançado o seu mais recente álbum Depois do Silêncio. Esta edição independente, à semelhança dos discos anteriores, reposiciona o grupo no roteiro da música internacional. Em fevereiro deste ano Tabanka Djaz regressa à sua terra natal, Bissau, para um mega espetáculo no Estádio 24 de Setembro, para uma plateia de mais e vinte mil pessoas. A formação base é composta por Mikas Cabral, Juvenal Cabral e Jânio Barbosa, a que se juntam um conjunto de excelentes músicos nos espetáculos ao vivo. Tabanka Djaz conta agora com 30 anos de carreira.

Bonga

Bonga (voz principal), Betinho Feijó (guitarra, direcção musical), Ciro Bertini (acordeão), Hernani Lagross (baixo), Estevão Gipson/Gipson Fantomas (bateria), Joana Calunga (bailarina).

José Adelino Barceló de Carvalho nasce em 1942 em Kipiri, Bengo, Angola. A voz de Bonga continua a ser um dos mais belos timbres de África e uma das principais referências da música de Angola, de reconhecimento mundial.

Uma voz mágica que simboliza a expressão do exílio e que fala ao nosso coração com uma força inigualável. Angola 72 e Angola74 foram editados por Morabeza Records nesses anos, reeditados depois em CD pela Lusáfrica e acaba de ser lançada este ano nova reedição em vinil. Estes discos marcam o início da carreira musical de Bonga. Mulemba Xangola (2000), Kaxexe (2003), Maiorais (2005), Bairro (2008), Hora Kota (2012) e Recados de Fora (2016) são os seus mais recentes trabalhos num conjunto de mais de 40 discos de inéditos, sendo autor de cerca de 500 obras registadas. Durante a sua adolescência e juventude participou intensamente no desporto e foi recordista em várias modalidades no atletismo, em Angola e depois também em Portugal.

Com um número interminável de parcerias, destacam-se Manu Dibango, Bernard Lavilliers, Cesária Évora, Agnès Jaoui, Ana Moura, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Martinho da Vila, Lura, Gaël Faye ou Vaya Con Dios. Bonga recebe discos de ouro e platina nos anos 1990, 1991 e 1993 pela Discossete. Pela sua trajectória artística Bonga recebe o Prémio Nacional da Cultura e Artes de Angola em 2010 e é condecorado em Luanda, em 2014, pela Embaixada de França, com a mais alta distinção cultural dada pelo governo francês, a de Cavaleiro na Ordem das Artes e Letras. Bonga é autor, compositor e intérprete. Bonga foi um dos convidados no Super Ano Novo de Lisboa, a festa de passagem deste ano da cidade de Lisboa.

Karlon

Karlon (voz principal), Michel (mc/voz acompanhante), X-Acto (dj), Bdjoy (congas), Maria Tavares (voz convidada, dança), Chullage (voz convidado), Daniela Sanhá (dança), Fénix Pop (dança), Zé Carlos (dança).

Karlon é descendente de cabo-verdianos e nasce em Lisboa no bairro da Pedreira dos Húngaros. É músico e compositor e canta em crioulo. Em 1994 funda o grupo Nigga Poison, um duo formado com Praga, sendo um dos pioneiros do Hip Hop em Portugal. Em 2001 lançam o EP “Podia ser Mi” e em 2006 conquistam um lugar de destaque com o álbum Resistentes, nomeado para os Globos de Ouro na categoria de ‘Revelação do Ano’.

Simplicidadi, lançado em 2011, foi o último trabalho no contexto dessa colaboração e desde então Karlon prossegue uma carreira a solo e cria de forma independente a editora Kreduson Produson. O seu primeiro álbum a solo surge em 2012, Nha Momentu, a que se segue a mixtape Paranóia (2013), Meskalina (2015) e o seu mais recente trabalho Passaporti (2016), uma viagem pela sua própria história que mistura o Hip Hop com samples de ritmos tradicionais de Cabo-Verde como o batuque, funaná, morna ou coladeira e que conta com a participação de Valete, Chullage, X-Acto, Maria de Barros, Gabriela Mendes, Cordas do Sol, Zé Cirilo, Ary, Batucadeiras Mára Pánu e também da sua mãe, Maria do Céu Furtado. Passaporti está editado em vinil pela Rastilho Records. Karlon estreia-se no cinema em 2017, é co-autor do argumento e protagonista do filme “Altas Cidades de Ossadas”, de João Salaviza, filme apresentado no ano passado no Festival de Berlim.

Baloji

Baloji (voz principal), Dizzy Mandjeku (guitarra), Saidou Ilboudo (bateria), Didier Likeng (baixo), Philippe Ekoka (teclas).

Baloji Tshiani nasce em Lubumbashi, a segunda cidade da República Democrática do Congo e cresce na Bélgica, em Liège. É um artista em movimento: músico, compositor, poeta, argumentista, realizador e homem de imagens e ideias. Um movimento pautado por ritmos, os da sua terra natal que conheceu recentemente, em 2007, quando reencontra a sua mãe e edita Hotel Impala (EMI), e também os ritmos da sua vivência urbana, com a tónica na palavra e na base do que foi o seu percurso inicial no Hip Hop. Rock-Rumba e Funk futurista pode ser uma forma de descrever, sendo a sua música inundada por várias outras influências que são também as suas referências, como o Soukous, o Zouk, Ragga, Urban trance, Deep house ou o Soul. Artista multifacetado encontrou nos Starflam (grupo de Hip Hop onde inicia o seu percurso) a porta de embarque para uma viagem na música e nas artes. Uma música que pretende que seja muito africana e ao mesmo tempo muito moderna. Baloji significa ‘feitiçeiro’ em Swahili, língua falada no Congo. Edita Kinshasa Succursale (2010) pela Crammed Discs e 64 Bits And Malachite (2015) pela Island France. 137 Avenue Kaniama (2018) é o trabalho lançado recentemente a 23 de março deste ano pela Bella Union, a destilação de uma atmosfera rítmica assente na herança musical dos apoteóticos anos 70. Baloji é o realizador dos seus videoclipes. A sua primeira curta-metragem “Kaniama Show” está prevista para este ano.

Ferro Gaita

Estevão Tavares (gaita, voz principal), Carlos Lopes (Ferrinho, voz principal), Emanuel Tavares (congas, percussão, voz), Frutuoso de Pina (cowbell, búzio, voz), José Carlos Varela (trombone, percussão, voz), Luis da Veiga (bateria), Mário Mendonça (baixo).

O nome Ferro Gaita vem da combinação de dois instrumentos: o ferro (pedaço de metal tocado com uma faca que marca o ritmo) e gaita (tipo de acordeão), utilizados na música tradicional de Cabo-Verde. São os instrumentos base do Funaná, um género musical proibido em locais públicos durante o período colonial, proveniente sobretudo do meio rural e popularizado pelo icónico grupo de Cabo-Verde, Bulimundo.

O grupo constitui-se em 1996 quando os sintetizadores dos anos 80 começam a dar lugar aos instrumentos tradicionais e é um símbolo incontornável da música de Cabo-Verde. As suas músicas têm como base o Funaná (lento, rápido e sambado), a Tabanka, o Batuque e Finaçon, ritmos tradicionais da Ilha de Santiago. Com uma sonoridade muito própria integram instrumentos tradicionais de sopro como a Bombona (búzio com mais de 100 anos), Meia Bumba e Concertina. Fundu Baxu (1997) e Rei di Tabanka (1999) são os primeiros álbuns.

Em 2002 o grupo é nomeado para o Kora Awards e no ano seguinte edita Bandêra Liberdadi (2003). O quarto CD de originais chama-se Cidade Velha (2008). Em 2016 Ferro Gaita comemora 20 anos de existência e lança o mais recente Festa Fora (2016), sendo todos os discos de originais editados por Ferro Gaita Produções. Com a vontade de deixar este legado e um conhecimento mais aprofundado sobre este género musical também em termos técnicos, como por exemplo na tonalidade específica do acordeão, o grupo criou uma escola de música em Cabo-Verde para que o conhecimento do Funaná possa ser eternizado pelas gerações mais novas. Falar de Funaná é falar de Ferro Gaita.

A’MOSI Just a Label (Jack Nkanga)

A’Mosi (voz principal, guitarra), Mayó (baixo), Márcio Dinis (bateria), Dodas Spencer (guitarra), Ricardo Pinto (trompete).

Nkanga Jack Fernando, Jack Nkanga nasce no Damba, província do Uíge no norte de Angola, perto da fronteira com a República Democrática do Congo e apresenta-se agora com novo nome artístico: A’Mosi Just a Lable (apenas um rótulo). É autor e compositor e tem como base o Konono, música tradicional dos povos Bazombo, Bakongo, um ritmo hipnótico que atraiu os amantes do Rock e da música electrónica. A’Mosi encontra uma sonoridade muito própria com influências do Soul, do Funk, do Jazz, do Rock e do Punk. A’Mosi toca guitarra embora o seu grande instrumento seja a voz, enorme, cuja amplitude e timbre incutem uma dinâmica muito particular e dominante. É através da sua editora independente, a Konono Soul Music que lança o primeiro EP Oops! (2014), um trabalho mais centrado em baladas, premiado nesse ano no Top Rádio Luanda com o single “Arts & Crafts” e nomeado no ano seguinte no Angola Music Awards. A’Mosi esteve em Lisboa para gravar e apresentar uma antevisão de Konono Soul, o próximo disco previsto para este ano. A’Mosi Just a Lable é naturalista, apela aos valores que regem as leis do universo, à ordem natural da vida, aos comportamentos em sociedade, à unidade e ao direito humano de viver com felicidade.

Nástio Mosquito & DZZZZ band

Nástio Mosquito (voz principal), Ndu (bateria), Hugo Antunes (contrabaixo), João Gomes (teclas).

A diferença entre ser genuíno e ser original é talvez ser orgânico. Nástio Mosquito nasce no Huambo, Angola. Músico, performer, poeta, videasta e ‘artista’ plástico diz na Catinga (podcast): isto anda tudo ligado. São linguagens que se cruzam, sabendo bem que ‘uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa’ e que ‘uma coisa é a verdade, outra coisa a mentira’. A forma como uma ideia se concretiza na arte tem sobretudo a ver com as sensações que essa mesma ideia desencadeia num determinado momento. É difícil descrever o trabalho de Nástio Mosquito. A sua obra completa e complexa assenta na palavra que é o fio condutor e motor das ideias que se materializam ou não num processo de negociação constante. A língua e as linguagens são todas aquelas que conhece. Sem medo de falar ou das palavras, disse em tempos: ‘call us purple not black’ (em vez de negros chamem-nos púrpura). E assim, generosamente, oferece a sua música para download gratuito no seu site. Cidadão do mundo, Nástio desaparece para dar lugar ao “a personagem” do distanciamento e perguntar: para onde queremos ir? MoMA em Nova Iorque, Fondation Cartier em Paris, Louisiana Museum of Modern Art, SAVVY Contemporary em Berlim, Documenta 14 em Kassel, Wiels em Bruxelas e MAAT em Lisboa são alguns lugares que fazem parte do seu percurso nos últimos anos. Na música, em CD e DVD, regista Huambo, Canções que nunca Ouvi! (2007), a demo Homem Nú Faca no Rabo (2009), Saindo do Armarió (2011), Deixe-me Entrar (2012), Se Eu Fosse Angolano & S.E.F.A (2013), Gatuno Eimigrante & Pai De Família (2016) e o mais recente Functional. Spirituality. Spiritual. Functionality (2017).

Moh! Kouyaté

Moh! Kouyaté (voz principal, guitarra), Sekou Kouyaté (guitarra), Sylvain Ruby (baixo), Thibaut Brandalise (bateria).

Moh! (Mohammed) Kouyaté nasce na Guiné-Conacri no seio de uma família Griot de tradição mandinga. É compositor, cantor e guitarrista. Moh! Kouyaté entende a música como uma forma de passar a mensagem, uma música que reflete uma vivência urbana e cosmopolita em Conacri e também em Paris, a sua segunda cidade desde 2006. Cidadão do mundo, vê em Conacri uma cidade cosmopolita, fala sobre o quotidiano, sobre a convivência, a capacidade de cultivar o que o ser humano tem de melhor e a necessidade de relativizar a vida. Do rio Níger ao Mississipi Moh! Kouyaté incorpora uma ligação africana e americana no seu Blues mandinga com apelo a um estilo congolês e influências do Soukouss, Solo Ndombolo ou de outros ritmos africanos, e também do Rock. Moh! Canta em soussou, malinké e diakhanké, línguas da sua terra natal. Cilo (2013) é o primeiro disco com revelação no tema “Ne t’en vas pas, ça va pas”, seguido de Loundo (2015) e o mais recente Fé Toki (2017), os três últimos editados pela Foli Son Productions. Fé Toki – que significa ‘ponto de vista’ -, inspira-se no continente africano e relaciona-se com todo o planeta. São onze temas numa viagem mental pelos quatro cantos do mundo.

Selma Uamusse

Selma Uamusse (voz principal), Augusto Macedo (teclas), Nataniel Melo (timbila, marimba, dum dum), Gonçalo Santos (bateria, djembé).

Selma Uamusse nasce em Maputo, Moçambique e vive em Portugal. Procura a harmonia no mundo à sua volta e uma forma de se relacionar com as suas raízes moçambicanas numa explosão de géneros. Canta em changana e em chope, línguas de moçambique, integra na sua música instrumentos tradicionais como a timbila e a mbira, assim como influências do seu percurso entre o Jazz, o Rock, o Gospel ou a Soul. O primeiro álbum foi gravado entre Maputo e Lisboa e aguarda edição ainda este ano. Este é o documento de uma mulher em busca assumida da sua africanidade, sem certezas quanto ao(s) caminho(s) a tomar, mas certa de que não há glória artística possível na mera exploração daquilo que já se conhece e se recita de cor. O primeiro disco de Selma Uamusse, produzido pelas mãos preciosas de Jori Collignon, ouve-se como duas viagens simultâneas – uma geográfica, uma visita a Moçambique, onde a cantora se abastece de sons e partilha a sua identidade; e uma interior, num mapa espiritual que se vai descobrindo à medida que a música se infiltra em quem ouve. Em cada segundo este aguardado disco produz um efeito hipnótico, num género que viaja entre o passado e o futuro.

Batuk

Nthato Mokgata (electrónica), Carla Fonseca (voz principal), Thomas Guie (percussão).

Batuk é o aclamado colectivo Sul-africano, de Joanesburgo, de que fazem parte o vocalista e rapper Manteiga e o produtor Spoek Mathambo (Nthato Mokgata), responsáveis por levar as músicas modernas de África aos palcos de todo o mundo. Projeto assente na música eletrónica, parte das sonoridades urbanas das townships sul-africanas como o Qgom, Shangaan electro ou o Kwaito (uma derivação da House, Afro-House, Soul e Zouk), com influências do Afro-Punk, do Hip-Hop, do Kuduro e de outras. Música que não deixa indiferente quem gosta de dançar. Música da Terra (2016) é o primeiro álbum, o EP Move! (2018) saiu em fevereiro e Kasi Royalty está previsto para maio, todos editados pela Teka Records, a editora de Spoek Mathambo. ‘Kasi’ significa ‘township’ no calão local. Carla Fonseca é atriz, realizadora e artista plástica e é vocalista do grupo. É a responsável pela realização dos videoclips de Batuk, incluindo o último, do single “Move!”, filmado em Impaputo, Moçambique. O EP conta com a colaboração de Daniel Haaksman, do duo angolano de Afro-House Homeboyz Music e do produtor/dj moçambicano Freddy Da Stupid. Spoek Mathambo co-dirigiu o documentário “Future Sound of Mzansi” (Mzansi significa África do Sul) que aborda a cena sul-africana da música electrónica.

Paulo Flores

Paulo Flores (voz principal), Manecas Costa (guitarra), Mayó (baixo), Armando Gobliss (teclas), Tony Bat (bateria), João Ferreira (percussão).

Paulo Flores nasce em Luanda, Angola e passa a infância em Portugal, com viagens regulares a Angola. Através da sua tia avó e do seu pai, Cabé, discotequeiro (disc jockey) e amante de música, Paulo Flores descobre elos fortes com a cultura do seu país, mas também com o Blues, a Soul, o Funk e outros géneros da cultura afro-americana. É autor, compositor, músico e intérprete e uma das principais referências na música de Angola. Um músico de reconhecimento mundial e um defensor incansável do Semba. Paulo Flores celebra 30 de anos de carreira, pontuados por mais de uma quinzena de discos. Aos 17 anos grava na Rádio de Luanda Kapuete Kamundanda (1989), onde o tema “Cherry” protagoniza um novo género musical, a kizomba (que significa Festa em kimbundu), fusão de ritmos do Zouk das Antilhas, com elementos do Congo e de Angola, com grande predominância de teclados electrónicos. Paulo Flores aparece assim na primeira linha de um movimento crucial da música de dança de África de cariz urbano, popularizada em Portugal nos anos 80. O seu percurso mais recente conta com a trilogia ExCombatentes, uma arte de encontros, com Manecas Costa, Mayra Andrade, Jacques Morelenbaum, entre tantos outros, de descobertas e de grande maturidade artística. O tema “Boda” (2011) é um sucesso imediato que atravessa diferentes gerações e vence o Top dos Mais Queridos em 2012, em Angola. Bolo de Aniversário (2016) é lançado em Lisboa e em Luanda e vence o título de melhor álbum do ano no Angola Music Awards 2017. Em 2017 lança o tema “Boca do Lobo”, um manifesto criativo que reúne ideias e experiências de músicos angolanos de diferentes gerações e diferentes linguagens. Kandongueiro Voador (2018) foi lançado em Angola e tem lançamento agendado este ano em Portugal.