Fado Violado : A Jangada de Pedra

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Fado Violado

A Jangada de Pedra

Banzé

O título dá toque direto ao livro de José Saramago de 1986, onde uma série de catástrofes fazem a Península Ibérica largar-se do continente e começar a vaguear nas águas do Atlântico.

Está pois, clara a ideia mestra deste primeiro disco de Fado Violado, projecto que nasceu, em 2008, pelas mãos de Ana Pinhal e Francisco Almeida. É o Fado interpretado tendo como base toda uma escola do Flamenco. Aliás, não usam a guitarra portuguesa, em vez disso, optam pela viola (guitarra espanhola) e esperam assim despertar as mentes mais puristas ou ativar alguma ironia no cruzamento do Fado com o Flamenco.

A “Jangada” despega-se logo a abrir com “Barco Negro” (David Mourão Ferreira, Caco Velho e Piratini) e dá-nos a noção da identidade do Fado, também na interpretação de Ana Pinhal, mas sobretudo, do Flamenco pela toada forte e compassada da guitarra e percursão. O mesmo acontece com a “Rosinha dos Limões” (Artur Ribeiro); “Estranha Forma de Vida” (Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro) entre outros temas mais tradicionais. No alinhamento do disco, a meio, a construção desta “Jangada” inclui temas originais de Francisco Almeida e ainda interpretação de “Los Piconeros” (Ramón Perelló & Juan Mostazo).

A este duo juntaram-se tantos outros artistas: Daniel da Silva (Cajon e Congas); Pablo Gomez (Cajon); Agustin Espin (Baixo) e ainda, nos coros, Esther González e Thaís Hernandez. No baile de “Grão de Arroz” (José Belo Marques) interpreta a dançarina Marina González Ortiz.

“… era a brincar, era a brincar

mudaste a sério, não era pra mudar

esse defeito era o teu feitio

esteve por um fio mas estava a brincar…”

Num dos temas originais de Francisco Almeida – … –  há essa necessidade de descontração e descolagem da linha mais tradicional do Fado para que ele possa navegar em águas do Flamenco e ainda assim, remeter-nos sempre para o Fado.

Raquel Bulha