Fábia Rebordão : Um Outro Eu que Salta do Fado

Fábia Rebordão apresentou o seu novo álbum, “Eu”,  na passada quinta-feira, na Sala do Arquivo na Câmara Municipal de Lisboa e também falou sobre o disco com a Infocul (Nota: o autor do texto que O Fado & Outras Músicas do Mundo aqui publica é da autoria de Rui Lavrador,nosso colaborador e director da Infocul). Perante convidados e amigos – destacando-se Rui Veloso, Mariza e José Gonçaléz, entre outros – e num registo intimista e festivo, Fábia Rebordão apresentou-se em palco com carisma, uma voz poderosa que sabe modelar, imprimindo a cada tema a intensidade correcta e com um conjunto de músicos de grande valia na guitarra portuguesa, baixo, viola de fado, percussões e teclados.

Neste novo “Eu”, Fábia apresenta as suas influências musicais, que têm por base o fado mas que abarca o mundo. Jorge Fernando assume papel de destaque compondo e escrevendo alguns temas, num trabalho discográfico que conta ainda com nomes como Pedro da Silva Martins, New Max, Rui Rocha, Miguel Rebelo, Dino D’Santiago, Tozé Brito, Mário Rainho ou Rui Veloso. A produção esteve a cargo de Jorge Fernando, New Max (Expensive Soul) e Hugo Novo.

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Em palco, Fábia conquista o público pelo seu ar dócil, a que contrapõe uma voz poderosa capaz de emocionar o coração mais empedernido, tal a capacidade do aparelho vocal que Fábia tem. Para além de temas do novo disco, a artista homenageou ainda a Casa de Linhares, onde canta diariamente, com um fado à capella, e relembrou alguns clássicos já com acompanhamento instrumental como “Trigueirinha”, “Alfama” ou “Casa da Mariquinhas”.

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Neste novo trabalho podemos também apreciar o talento de Fábia Rebordão como compositora e letrista. Um disco fresco maturado na tradição. Um disco concebido após período de “introspeção”, como a artista nos revelou: “Podem esperar uma nova Fábia. Sabes que eu tive um grande momento de introspecção neste tempo em que estive sem gravar e onde consegui reunir pessoas que me são muito queridas e que conseguiram decifrar o que estou a sentir neste momento; o meu novo eu. E este disco é o resultado de todas as minhas influências, de tudo o que eu ouvi entretanto, sendo a principal base o fado, ou a mais forte, mas também outros estilos de música. Porque eu também gosto de outras coisas. Reuni os compositores, os produtores que eu tanto admiro que são o Jorge Fernando, Hugo Novo e o New Max dos Expensive Soul. E para mim isso deixa-me muito honrada. É um disco de amigos e do meu novo eu.”

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 Perguntámos-lhe qual foi a importância de ter ao seu lado um nome como Jorge Fernando, que já catapultou tantos artistas e se tê-lo ao seu lado lhe deu segurança. “Foi importantíssimo. O Jorge Fernando deixa um legado enorme, para mim é uma honra poder privar com ele na casa de fados diariamente, tenho o prazer de ver nascer composições e músicas que são verdadeiros êxitos na boca de tanta gente. Portanto para mim é uma honra e um prazer contar com a arte do Jorge Fernando”.

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 E também qual a importância da casa de fados – a Casa de Linhares – neste disco. “A casa de fados é importantíssima porque é a nossa sala de ensaios. Nós na casa de fados temos o feedback do público devido à proximidade e sabemos o que depois resulta ou não em palco. Portanto, a casa de fados é algo que me enriqueceu muito enquanto pessoa, ser humano, interprete e que também acrescentou muito ao que sou agora”.

Texto: Rui Lavrador

Fotos: Sony Music Portugal

(Uma Partilha O Fado & Outras Músicas do Mundo/Infocul)