O Fado, Património de Sempre, Património de Agora : Por Nuno Miguel Guedes

Poderemos argumentar que o que aconteceu em Novembro de 2011 já há muito que tinha acontecido. Sem um título, sem instituições, sem formalismos. Assim, só com uma força e verdade que atravessa fronteiras, línguas, costumes, olhares. Na verdade, há muito que o mundo conhecia essa misteriosa universalidade que vive dentro do fado. E há muito que o aplaudia, e sentia como seu.

Mas de facto faltava outro tipo de reconhecimento, mais formal mas nem por isso menos importante. A declaração da UNESCO de que o fado é Património Imaterial da Humanidade foi uma vitória e simultaneamente uma óbvia justiça. Vitória da nossa diplomacia cultural, pela candidatura sustentada e  rigorosa que apresentou; justiça óbvia por tudo aquilo que atrás ficou dito.

O que o fado ganhou com este reconhecimento pode ser medido nos programas de salvaguarda de arquivos e memórias, nas edições históricas, na vertente educativa e, em última análise, na ainda maior projecção internacional que este género musical ganhou – com consequências benéficas para quem o pratica.

Foi bom. Mas o que importa são os dias, o quotidiano que nos leva a ouvir um fado, a vivê-lo e a fazê-lo viver diariamente. E poder ter o privilégio de encontrar sem esforço um mistério que por muito que se tente nunca se conseguirá desvendar. Apenas sentir.

Nuno Miguel Guedes