João Ferreira-Rosa : Um Imenso Adeus…

Polémico, frontal, cultor feroz de algumas amizades e de tantas outras inimizades, defensor da causa monárquica, João Ferreira-Rosa – que morreu hoje, dia 24 de Setembro, nunca deixou de ser aquilo que, acima de tudo,  sempre foi: um enorme fadista. Num livro sobre João Ferreira-Rosa – da colecção Fado : Alma Lusitana (ed. Levoir/Correio da Manhã) -, o jornalista António Pires escreveu em 2012: “Apesar de não ser de origem aristocrática, João Ferreira-Rosa foi, ao longo de toda a sua vida, o maior cultor do chamado Fado Aristocrático, assumindo de peito aberto as suas convicções monárquicas, intervindo publicamente na defesa da causa real e, acima de tudo, cantando fados – e fazendo poemas – que defendem o Portugal anterior a 5 de Outubro de 1910. Foi ele que popularizou o célebre fado «Embuçado», dedicado ao Rei D. Carlos. Foi ele que, logo após o 25 de Abril de 1974, escreveu um virulento manifesto em que defendia a democracia, mas uma democracia que permitisse ao povo optar entre a República e a Monarquia. Foi ele que, muitos anos depois, a propósito da polémica com os membros do blog 31 da Armada – que hastearam a bandeira monárquica em vários locais públicos –, opinou que deveriam ser presos, para assim dar maior visibilidade à causa e melhor a defender”.

E, numa notícia da Lusa, lançada hoje ao início da tarde, pode ler-se um breve resumo da sua vida e carreira:  O fadista João Ferreira-Rosa, de 80 anos, intérprete de “O Embuçado”, morreu este domingo de manhã no hospital de Loures, nos arredores de Lisboa, disse à agência Lusa fonte próxima do artista. João Ferreira-Rosa era proprietário do Palácio de Pintéus, nos arredores de Loures, que fora propriedade da poetisa Maria Amália Vaz de Carvalho e que serviu de cenário a vários programas de fado, transmitidos pela RTP, em que participaram os fadistas Alfredo Marceneiro, Maria do Rosário Bettencourt, Teresa Silva Carvalho e João Braga, e os músicos Paquito, José Pracana, José Fontes Rocha, entre outros. João Ferreira-Rosa, natural de Lisboa, afirmava-se monárquico e foi autor, entre outros, do poema “Triste sorte”, que gravou no Fado Cravo, de Marceneiro. Figura assídua das galas anuais Carlos Zel, no Casino Estoril, do seu repertório constam, entre outros, os fados “Os Saltimbancos”, “Acabou o Arraial”, “Fragata” e “Portugal Verde e Encarnado”.