Bargou 08 : Targ

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Bargou 08

Targ

Glitterbeat Records/Megamúsica

 

Oriundos de Bargou, pequena cidade e terra limítrofe às inóspitas montanhas do norte da Tunísia…

Correcção. Oriundos da febril e caótica simbiose de música tradicional tunisina e moogs, os Bargou 08 emergem, triunfais, sobre todos e qualquer um, com um disco de estreia de imensa mestria, criatividade, engenho, espontaneidade… epá, é bom que dói!

É fácil perdermo-nos, imaginarmos o local, o ambiente que se vive e permeia Bargou, toda a envolvente, as gentes, que deram origem ao álbum. É fácil, e nunca deixa de ser fascinante. Numa região remota, isolada, de tradição musical ancestral, que sobrevive apenas por registo oral (e esse já é parco), irrompe mundo adentro uma vitoriosa demonstração eletrónica, tribal e explosiva. Um “tratado” capaz de embevecer até os Neu!.

Conduzidos por uma flauta de gasba, hipnótica e ressonante, ladeada pela intensa secção de percussão e pelo espectro de um moog, rastejante, ameaçador, que segue, deixa rasto, ensombrece e urge ainda mais o ouvinte ao mais puro dos instintos… abanar freneticamente cabeça e corpo.

O “exorcismo”… perdão, a celebração culmina com a voz única, porta estandarte da região, do seu dialecto, dos seus espíritos, das suas tradições, a chave perfeita que conjuga o moderno e o ancestral, o digital, o analógico, os amplificadores e os fardos de palha.

Não há qualquer singularidade, defeito ou destaque a ser feito ou mencionado. Este álbum não o merece. Merece sim um pleno, merece sim um “todo”.

Rui Alexandre Bajouca