Tribalistas : Tribalistas

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Tribalistas

Tribalistas

Phonomotor Records/Universal Music

 

Provavelmente, neste ano de 2017, os brasileiros foram menos surpreendidos pela manutenção do golpe de Estado e consequente crise política do que pela não anunciada reunião dos Tribalistas. Sim, 15 anos após seu primeiro e até então único disco, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte estão de volta com Tribalistas, álbum produzido pela própria Marisa e coprodução de Arnaldo, Brown, Alê Siqueira e Daniel Carvalho. O time de músicos convidados contou com Dadi, Cézar Mendes, Pedro Baby e Pretinho da Serrinha, além da participação da portuguesa Carminho.

O álbum (que, sim, tem o mesmo título que o primeiro), cuja capa foi desenhada pelo artista Luiz Zerbini, foi anunciado numa transmissão ao vivo simultânea nas respectivas páginas de Arnaldo, Carlinhos e Marisa no Facebook. No vídeo, os músicos apresentaram quatro das dez canções que compõem o trabalho. O disco também surpreendeu no formato: além do CD e das plataformas on-line de compra e streaming, os Tribalistas lançaram um DVD e um hand album. Este último, desenvolvido em parceria com o Facebook e o Spotify a partir de um pedido do grupo, trata-se de uma espécie de encarte digital que traz as letras, cifras, fotos, vídeos além das músicas e suas respectivas fichas técnicas, inaugurando uma nova ferramenta de consumo de música digital.

“Diáspora”, faixa que abre o disco, tem citações de um trecho do Canto XI de O Guesa, de Joaquim de Sousândrade e de Vozes d’África, de Castro Alves. O tema tem um caráter mais sério ao tratar dos vários povos que deixaram – e seguem deixando – suas terras natais e se tornam refugiados em lugares onde não necessariamente suas vidas melhoram. “Um Só”, a segunda canção, já traz a conhecida leveza do grupo e pode até mesmo ser lida como um hino dos Tribalistas. O terceiro tema é a balada “Fora da Memória”, seguida pela delicada “Aliança”. A próxima canção, “Trabalivre” – ainda que não uma música de trabalho – certamente é uma música sobre trabalho. A segunda metade do álbum começa com “Baião do Mundo”. O sétimo tema é “Ânima”, seguido pela dançante “Feliz e Saudável”. A penúltima canção, “Lutar e Vencer” traz em sua letra um pouco mais de seriedade, mas sem deixar de ser leve. Para fechar o disco, temos a bela participação de Carminho em “Peixinhos”.

Ainda em 2002, os Tribalistas já não queriam ter razão. Entretanto, Tribalistas é, sem dúvidas, um trabalho muito bem produzido, onde fica claro o cuidado com que foi pensado e executado. Desde a gravação das músicas até a forma – e os formatos – em que foi lançado, temos um álbum que carrega a marca do grupo. Mesmo que em alguns momentos tenhamos temáticas mais sérias, o disco é leve, divertido e certamente um presente para os antigos e novos fãs.

Luiz Sangiorgio