António Pinho Vargas : Magnificat/De Profundis

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António Pinho Vargas

Magnificat/De Profundis

Warner Classics/Warner Music

 

Longe vão os tempos em que António Pinho Vargas, juntamente com alguns amigos entre eles os irmãos Rui e Carlos Sobral Centeno e ainda Paulo Godinho, baixista e irmão de Sérgio Godinho, fazia parte nos anos 60/70 dum grupo portuense de rock – A Grelha – que ensaiava na exígua garagem de uma vivenda do Bairro do Amial na cidade do Porto. Hoje em dia, Vargas é um renomado instrumentista, com uma vida devotada não só à grande musica negra onde como pianista é um dos mais altos expoentes nacionais, mas também à musica erudita, à qual já dedicou muitas composições próprias e, até agora, essencialmente para piano.

Como músico de jazz tem, enquanto compositor e intérprete, assinado a autoria de algumas das mais belas obras nos últimos anos em Portugal. Reconhecidamente associado ao facto de ter uma grande paixão pelo piano e pela História, é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e, agora, acaba de editar mais um novo disco, “Magnificat/De Profundis”, projecto baseado em dois textos bíblicos e que é constituído por duas peças, já estreadas em palco e a que Vargas acrescentou, na primeira delas, dois andamentos. O álbum constitui a primeira obra do pianista para coro à capella e aqui aparecem como executantes da fabulosa cama musical o Coro Gulbenkian (nas duas peças) e ainda a Orquestra Metropolitana de Lisboa no segundo.

Um projecto ambicioso, envolvente, musicalmente exaltante e por vezes até quase apoteótico, especialmente em matéria de execução instrumental e que, por isso mesmo, se revela um dos mais entusiasmantes projectos clássicos que me foi dado ouvir nos últimos anos… Mais que uma nova proposta musical de António Pinho Vargas, o disco revela-nos um pianista-compositor cada vez mais ambicioso, telúrico, prolifero; um instrumentista que sem perder a sua identidade jazzística se move nestes meandros da música erudita verdadeiramente como peixe na água.

João Afonso Almeida