Madredeus : Já se Passaram 30 Anos Sobre “Os Dias da Madredeus” (E a Data É Celebrada Solenemente)

Numa das páginas d’O Fado & Outras Músicas do Mundo está escrito que, sem a existência de um grupo português chamado Madredeus (na foto, de Álvaro Rosendo), possivelmente não existiriam – ou pelo menos não existiriam com a sonoridade com que existem – grupos como os Deolinda, Oquestrada, Atlantihda, Pensão Flor, Quinteto Lisboa, Café d’Alma, Esfinge, Lacre, Fandanga, Rua da Lua, Fado Lelé e tantos outros. E, agora, escreve-se que o disco que deu início à lenda Madredeus, o duplo-álbum “Os Dias da Madredeus”, vai ser reeditado com o som restaurado, em LP e CD fac-similados da edição original, trinta anos depois do seu lançamento em 1987. O comunicado:

A Warner Music orgulha-se de relançar, em vinil e CD de edição limitada, um dos discos mais importantes da música portuguesa dos últimos 30 anos.

A 10 de Novembro de 2017, precisamente 30 anos após a sua edição, o primeiro álbum dos MADREDEUS, “Os Dias da Madredeus”, vai ser publicado num duplo LP de vinil e num CD simples de edição limitada fac-similados, que reproduzem ao pormenor o luxuoso LP original de 1987 e repõem na íntegra o alinhamento original.

Nessa altura, não se adivinhava ainda o triunfo internacional que tornaria o grupo no grande embaixador global da música portuguesa dos anos 1990. Os Madredeus eram o projecto paralelo que Pedro Ayres Magalhães, então nos Heróis do Mar, e Rodrigo Leão, dos Sétima Legião, haviam criado como “um grupo de música portátil”, que pudesse viajar facilmente pelo mundo com instrumentos acústicos. E não tinham ainda nome.

O disco vinha assinado individualmente pelos cinco integrantes do grupo – Pedro Ayres à guitarra clássica, Rodrigo Leão ao teclado, Gabriel Gomes (também dos Sétima Legião) ao acordeão, Francisco Ribeiro ao violoncelo e Teresa Salgueiro, então uma jovem e desconhecida cantora com apenas 18 anos de idade.

O título do LP, “Os Dias da Madredeus”, referia-se à zona do bairro da Madre de Deus, onde ficava o Teatro Ibérico que era a sala de ensaios do projecto; e ao facto do álbum aí ter sido gravado ao longo de três dias, a 28, 29 e 30 de Julho de 1987.

Na verdade, “Os Dias da Madredeus” foi gravado de madrugada, inteiramente ao vivo, com um gravador digital de duas pistas, depois dos eléctricos deixarem de passar e com os músicos a tocar descalços em cima de almofadas. Não houve pós-produção e todas as misturas foram feitas no momento durante cada take.

A nova edição marca o primeiro verdadeiro restauro sonoro que “Os Dias da Madredeus” vê em 30 anos, desde o lançamento original em 1987. Nessa altura, a primeira tiragem esgotou rapidamente, “A Vaca de Fogo” tornou-se num êxito, os Madredeus foram o grupo revelação do ano.

E, pela primeira vez, a edição em CD repõe a íntegra dos 16 temas do alinhamento original do LP. Em 1987 a tecnologia limitava um compact-disc aos 70 minutos de música, o que implicou que, para caber num único CD, “Os Dias da Madredeus” fosse amputado de um tema. “A Estrada do Monte”, por isso, ficou de fora da edição em CD. Com o avanço da tecnologia, esta é a primeira vez que em 30 anos que o CD volta a incluir aquele que se tornou num dos temas mais queridos dos Madredeus.

A nova edição, quer em LP quer em CD, reproduz na íntegra o arranjo gráfico original da pintura de José Alexandre Conefrey, em capa dupla texturizada com badanas.

30 anos depois, é um grande momento da música portuguesa que reencontramos, como novo, como se fosse hoje. “Os Dias da Madredeus” será reeditado a 10 de Novembro em duplo LP e CD simples restaurados, remasterizados e fac-similados da edição original.