M.A.K.U. Soundsystem  : Mezcla

M.A.K.U. Soundsystem_capa

 

 

M.A.K.U. Soundsystem

Mezcla

Glitterbeat Records/Megamúsica

 

Na riquíssima nova cena musical colombiana, há vários grupos (sejam mais próximos da cumbia ou do vallenato de raiz, estejam ou não misturados com o jazz, o rock, as electrónicas, o ska, o reggae, o afrobeat, etc, etc…) há nomes que são bem conhecidos por cá, principalmente devido à sua presença no FMM Sines ou, mais esparsamente, no MED de Loulé e na Festa do Avante: Roberto Pla All Stars, Aterciopelados, Bomba Estéreo, Sidestepper, Doctor Krápula, Che Sudaka, Romperayo, La Mambanegra, Bulldozer, Systema Solar, La Chiva Gantiva, Los Pirañas, La-33, Meridian Brothers, Ondatrópica…). E isto para não referir fenómenos globais como Shakira ou Juanes. O grupo de que hoje se fala aqui não é tão conhecido, mas também devia ser: o M.A.K.U. Soundsystem, colectivo de músicos maioritariamente colombianos mas radicados em Nova Iorque, Estados Unidos.

Com uma esparsa mas já marcante discografia – “Makumbala” (2011), “M.N.D. (Music Never Dies)” (2012), ambos em edição de autor, e este mais recente “Mezcla”, já lançado por uma das mais importantes marcas de world music dos últimos anos, a Gletterbeat -, o M.A.K.U. Soundsystem tem deixado a sua marca em vários festivais com uma música muito semelhante ao que se ouve neste álbum: uma música que parte sempre das tradições colombianas – nomeadamente e em grande escala daquelas que descendem da raiz africana ioruba – e não é por isso de estranhar que muitas das suas canções, quase sempre selvaticamente dançáveis, tenham laivos de funk, de jazz, de afrobeat, mas também rock psicadélico, prog, reggae (e derivados), calipso, rumba e elementos do mais antigo folclore colombiano… Liderados pelo guitarrista Camilo Rodriguez – e com a voz da cantora e percussionista Liliana Conde a competir na liderança com as guitarras, percussões várias e secção de metais -, o M.A.K.U. Soundsystem nasceu naquela cidade ianque em 2010, e sempre falaram da realidade dos imigrantes na Grande Maçã, das suas lutas, anseios e conquistas.

Podendo ser vistos como uma trupe de “conquistadores” – embora em sentido inverso e com um twist bem-vindo (os descobridores e detentores de um som e de uma verdade só deles) -, os músicos do grupo prestam homenagem, no seu nome, a uma tribo só “descoberta” há quarenta anos: os Nukak Maku. É, mais uma vez, a modernidade à procura das suas raízes profundas. E isso é sempre bom.

António Pires