Lila Downs : Salón, Lágrimas y Deseo

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Lila Downs

Salón, Lágrimas y Deseo

Sony Music México

 

Depois da morte de Chavela Vargas, Lila Downs é a cantora mexicana que melhor continua a representar as tradições musicais do seu país. E se em todos os seus álbuns – e já lá vão dez discos de originais para além de dois ao vivo antes deste – ela mergulha de cabeça em vários géneros bem representativos da riqueza e diversidade sonora do México, no novo “Salón, Lágrimas y Deseo” essa descida às raízes é ainda mais pronunciada, com uma forte presença de rancheras, cumbias, boleros, danzón, mariachi, son jarocho, tejano ou banda a encontrarem um travo retro que a aproxima do espaço físico que a sua mãe, uma índia mixteca, ocupava há algumas décadas: os cabarés e os saloons transfronteiriços do México e dos Estados Unidos.

E isto não é por acaso. Este novo álbum de Lila Downs é uma homenagem às mulheres do seu país, feita de denúncias das atrocidades de que são vítimas (assédio, violação, assassinato…) mas também de glorificação da sua coragem e da sua luta. Num disco em que todas as suas outras influências aparecem aqui e ali (do rock ao jazz ou aos blues) e em que temas originais convivem com tradicionais ou clássicos da música mexicana, “Salón, Lágrimas y Deseo” tanto homenageia “Las Adelitas” (um mítico grupo de “amazonas” revolucionárias) como canta o amor através de duas canções de Agustín Lara – “Palabras de Mujer” e “Piensa en Mi”- ou, em dueto com o espanhol Diego el Cigala, se atira a uma fulgurante versão de “Un Mundo Raro”, que foi popularizado por… Chavela Vargas.

Para além do cantor de flamenco já referido, outros convidados do disco são o fabuloso grupo de mariachis Banda Tierra Mojada, a jovem cantora mexicana Carla Morrison, a cantora chilena Mon Laferte e o cantor e músico argentino Andrés Calamaro. E é uma excelente continuação do anterior álbum “Balas y Chocolate” e de um single intermédio, dedicado a Trump, de nome “El Demagogo/The Demagogue”. A voz, essa, continua tão magnífica e poderosa como sempre.

António Pires