Café Luso : 90 Anos ao Serviço do Fado Celebrados Hoje com Pompa e Circunstância

Se ontem demos conta da maratona de 24 horas de fado na Mesa de Frades – que serve para comemorar o sexto aniversário do Fado enquanto Património Imaterial da Humanidade e a reabertura daquela casa -, hoje assinalamos a noite especial que festeja não só essa data como também uma outra muito mais antiga: os 90 anos da abertura do Café Luso, que em Lisboa tem servido de palco a centenas de fadistas ao longa deste quase um século de existência. Hoje, dia 27, as duas efemérides são celebradas com actuações dos fadistas Marco Rodrigues, Raquel Tavares, Maria Amélia Proença, Celeste Rodrigues, Julieta Estrela, Florinda Maria, Julieta Reis, Deolinda Maria, Ana Laíns, João Casanova, Fernanda Pinto, Odete Rosa, Mafalda Taborda, Elsa Laboreiro, Yola Dinis, Catarina Rosa, Filipe Acácio e Cristiano de Sousa para além dos músicos José Manuel Neto (na foto), Bruno Chaveiro e André Dias na guitarra portuguesa, António Neto na viola e Jorge Carreiro no contrabaixo. A notícia da agência Lusa:

O sexto aniversário da proclamação do Fado como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, e os 90 anos do Café Luso são celebrados na segunda-feira com um encontro fadista naquele espaço no Bairro Alto, em Lisboa.

“Uma casa com a responsabilidade do Café Luso, que é a ‘catedral do fado’, deve celebrar esta distinção internacional, mas também o seu próprio aniversário, tendo convidado alguns dos nomes que fizeram e fazem parte do elenco”, disse à agência Lusa João Pedro Ferreira Borges, do Fado & Food Group, proprietário da casa de fados.

Na segunda-feira à noite, além do convívio fadista, será também inaugurada uma exposição referente à atividade artística do Café Luso, onde, entre outros, Amália Rodrigues cantou várias noites e gravou um álbum.

Além da criadora de “Povo que Lavas no Rio”, também Cidália Moreira gravou ao vivo um disco no Luso, espaço onde atuaram nomes como Argentina Santos ou Gabino Ferreira.

Na segunda-feira, entre outros, são homenageados os fadistas Maria Amélia Proença, Celeste Rodrigues, Julieta Estrela, Florinda Maria, Julieta Reis, Deolinda Maria, Ana Laíns, João Casanova, Fernanda Pinto, Odete Rosa, Mafalda Taborda e o guitarrista José Manuel Neto, participando também o elenco da casa, que inclui Elsa Laboreiro, Yola Dinis, Catarina Rosa, Filipe Acácio e Cristiano de Sousa, e os músicos Bruno Chaveiro e André Dias (guitarra portuguesa), António Neto (viola), e Jorge Carreiro (contrabaixo).

João Ferreira Borges referiu que, durante vários anos, “quando o fado não estava em voga, como atualmente, o Café Luso e outras casas de fado fizeram uma caminhada no deserto, tendo sabido manter viva a cultura fadista e procurado que o fado não estagnasse”.

“O Café Luso a dado passo, percebeu que a sua sobrevivência passava por um rejuvenescimento do elenco, e também pela modernização da oferta gastronómica, pois sempre fomos uma montra cultural do país”, disse.

Marco Rodrigues, que começou a cantar nesta casa aos 17 anos, foi um dos nomes referidos por Ferreira Borges à Lusa, e que deve atuar na segunda-feira, assim como Raquel Tavares, ambos distinguidos com um Prémio Amália Revelação. Na próxima segunda-feira, a casa de fados estreia uma nova ementa, “fortemente baseada noutro património da humanidade que é a dieta mediterrânica”.

João Ferreira Borges criticou “o fado avulso” que, atualmente, há na cidade, sem “a devida contextualização artística” e outros critérios, como a licença de recinto e normas de segurança, que são exigidos às casas típicas, que se sentem “penalizadas” pela “concorrência desleal” de outros espaços que não cumprem quaisquer critérios.

O espaço tem sido palco de apresentação de novos talentos, ao longo dos tempos, e onde se realizaram, entre outros, os concursos Primavera do Fado que, em 1938, foi ganho por Márcia Condessa, e, em 1957, por Natalino Duarte, ou o concurso “Rainha das Cantadeiras e Ases do Fado”, também na década de 1950.

O fadista Alfredo Marceneiro (1888-1982) foi aclamado neste espaço “Rei do Fado”, em 1948, e António Rocha, 79 anos, ainda em atividade, foi eleito “Rei do Fado Menor”, em 1959.

O Café Luso foi fundado em 1927, inicialmente na avenida da Liberdade, e, em 1940, passou a ocupar as cocheiras e celeiro de um antigo palácio do século XVII, na travessa da Queimada, no Bairro Alto.