A Nova Geração de Fadistas Portuguesas
Iremos aqui abordar a nova geração de fadistas portuguesas, bem como falar sobre o fado.
A sempre popular e profundamente sentida canção nacional de Portugal conhecida como fado, que se traduz como “destino” em latim, detém o prémio de Património Imaterial da Humanidade da UNESCO e é celebrada em todo o mundo como uma das principais artes performativas.
As suas raízes estão em Alfama e na Mouraria, e é onde ainda hoje se ouvem muitos espetáculos de fado. As canções de fado estão geralmente ligadas ao sentimento de saudade, um estado de nostalgia e saudade de algo ou de alguém.
Porque é que o fado é importante para Portugal?
Sendo que cada região de Portugal acaba por ter um estilo musical e o fado, em particular, que teve início em Lisboa. Pese embora se tenha divergido em distintas maneiras no Porto e em Coimbra.
São várias as projeções sobre o nascimento do fado dado que o seu surgimento ocorreu no início do século XIX, numa época de encontros culturais distintos.
Há quem diga que proveio com os escravos africanos e foi adaptado a partir de uma dança da África Ocidental no Brasil, enquanto outros acreditam que foi desenvolvido a partir de uma canção de lamento de marinheiros portugueses ou foi desenvolvido durante a ocupação moura de Portugal.
Uma das primeiras manifestações do fado foi uma canção que retrata a história de amor proibido entre uma cigana de nome Maria Severa e o Conde de Vimioso, um homem nobre.
Entrincheirada no desespero do seu amor, como afirma Chris Da Rosa, do Vanguard Squad, ‘Maria encontraria conforto em cantar as suas tristezas nos bares e clubes do Bairro Alto de Lisboa. Isto enquanto dedilhava a sua guitarra Portuguesa (um bandolim de doze cordas – como instrumento, possivelmente de origem mourisca)’. Esta história foi retratada no primeiro filme sonoro falado de Portugal, A Severa.
Fado e localizações
Diz-se que a profundidade do fado vem das multidões dos bares lisboetas situados nos bairros de Alfama e Bairro Alto. Contudo, existem estilos diferenciados de cantar o fado desde Lisboa, Porto até Coimbra. Cada um destes lugares definiram uma determinada variação de fado.
À semelhança de uma taberna ou pub, o fado cantado em Lisboa e no Porto é realizado normalmente em casas de fado.
Em Coimbra, o fado tem a mesma disposição de tristeza, mas os motivos por detrás das canções são sobre uma perspetiva estudantil, que visa a despedida de um estilo de vida boémio juvenil ou de uma serenata à janela.
Fadistas Portuguesas
Embora existam muitos fadistas portuguesas, nomeadamente como Judith e Holofernes, Dulce Pontes, Mariza e Katia Guerreiro, entre outras, foi Amália Rodrigues (entre 1920 e 1999) – anteriormente conhecida como a ‘Rainha do Fado’ – que inicialmente ampliou os limites do género, ajudando a desenvolvê-lo e defini-lo no que ele é hoje.
Amália Rodrigues viajou o mundo a cantar e a gravar. Portugal chorou três dias após a sua morte e, como um dos ícones da nação, foi sepultada no Panteão Nacional, em Lisboa.
A nova Rainha do Fado é Mariza; várias vezes indicada ao Grammy e vencedora do prêmio BBC – Best European Act, ela representa uma interpretação contemporânea dessa antiga tradição musical.
A nova geração de fadistas portuguesas mais conhecidas
As novas gerações de fadistas portuguesas apresentam-se agora em palco com vestidos de criadores de renome, usando cores brilhantes, deixando o preto para segundo plano e adotam looks audazes.
São as novas vozes do fado e do passado que trazem apenas a paixão por esta forma tão portuguesa de cantar, nomeadamente, Mariza, Ana Moura, Cuca Roseta, entre outras.
Mas vamos falar um pouco de algumas das mais reconhecidas fadistas portuguesas.
Ana Moura – fadista portuguesa

Uma das fadistas mais populares da atualidade é Ana Moura, nascida em 17 de setembro de 1979 em Santarém, Portugal.
Está em cena há alguns anos – o seu primeiro álbum “Guarda-me a Vida na Mão” foi lançado em 2003 – mas a sua carreira descolou de verdade em 2007 com o álbum “Para Além da Saudade”.
O som de Ana Moura é arrebatador e belo, captando a verdadeira essência do fado tradicional, que chama mesmo a atenção de superestrelas internacionais.
Em 2007, Ana cantou ao lado dos Rolling Stones, enquanto Prince se deslocou a Lisboa para uma das suas atuações em 2011.
Foi a fadista mais jovem a ser nomeada para o Dutch Edison Award.
Cristina Branco – fadista portuguesa

Nascida em Almeirim (Ribatejo), a 28 de dezembro de 1972 Cristina Branco é uma cantora portuguesa. Antes de se fixar no fado entusiasmou-se pelo jazz e pelos estilos musicais portugueses. Cristina Branco estudou então os poemas de onde são retiradas as letras do fado maior.
O palco principal de Cristina Branco tem sido a Holanda, onde agora vive. O seu primeiro álbum, “Cristina Branco Live in Holland” foi editado após os dois concertos que realizou em Portugal em abril de 1996.
O seu segundo CD, “Murmúrios”, foi também feito na Holanda em 1998. Dois anos depois, Cristina quis mostrar gratidão ao país e gravou um belo álbum dedicado ao poeta holandês Slauerhoff.
Cuca Roseta – fadista portuguesa

Maria Isabel Rebelo Couto da Cruz Roseta (nascida em 2 de dezembro de 1981), conhecida profissionalmente como Cuca Roseta, é uma cantora, compositora e modelo portuguesa de fado.
Cuca Roseta é considerada uma das mais importantes representantes do fado da sua geração, aparecendo no início da sua carreira no filme “Fados” do diretor espanhol Carlos Saura.
O fado, género musical com origem em Lisboa no início do século XIX, caracteriza-se tradicionalmente por sentimentos de resignação e melancolia, mas o estilo de Cuca Roseta incorpora também influências mais animadas da world music.
Iniciou a sua carreira musical ao cantar no coro da sua igreja. Lançou, entretanto, sete álbuns de estúdio com produtores, fez várias tournées e colaborou com diferentes artistas.
Dulce Pontes – fadista portuguesa

Dulce Pontes, nasceu em 8 de abril de 1969, e é uma compositora e cantora portuguesa que se apresenta em vários estilos musicais, incluindo pop, folk e música clássica.
Ela é geralmente definida como uma artista de world music. As suas canções contribuíram para o renascimento da música folclórica urbana portuguesa chamada fado nos anos 1990.
Fado é “fatum” em latim e significa destino ou fatalidade. Esta forma de música, caracterizada por melodias e letras melancólicas, centra-se muitas vezes nas nossas relações históricas com o mar e a saudade. O sentimento de uma perda permanente e irreparável. Tal como a de uma mulher que chora o marido perdido no mar…
A “Canção do Mar” é um dos fados mais conhecidos sobre esta relação com o mar. Dulce Pontes interpreta essa música de forma magistral.
O ator Richard Gere, que ficou tão encantado com a sua atuação, escolheu a “Canção do Mar” como música de tema do filme “Primal Fear”.
Esta música data de 1955, e foi um dos maiores sucessos da nossa Diva do Fado, Amália Rodrigues.
Joana Amendoeira – fadista portuguesa

Joana Amendoeira nasceu em 30 de setembro de 1982, em Santarém.
Outra voz jovem feminina do fado que também já se terá apresentado na Holanda, no Concertgebouw de Amesterdão.
Ela apresentou-se igualmente na Royal Opera House em Londres.
Surgiu em 1994 em público, com destaque, tendo participado na Grande Noite do Fado de Lisboa.
Em 1995, onde ganhou o 1.º prémio de interpretação feminina em juvenis, participou na Grande Noite do Fado, no Porto.
Mariza – fadista portuguesa

Conhecida profissionalmente como Mariza, Marisa dos Reis Nunes ComIH, é outra fadista portuguesa. Nasceu em 16 de dezembro de 1973, em Lourenço Marques, Moçambique.
Quando Mariza cantou esta letra de “Oh, Gente da Minha Terra” (outro Fado de Amália Rodrigues), junto à Torre de Belém (monumento de todos os descobrimentos marítimos portugueses no século XVI) em Lisboa provocou o seguinte efeito: todo o público chorou, emocionou-se pela sua bela voz e pela forma como o chamava.
“Oh, gente da minha terra” é uma expressão que para nós significa muito porque são tantos os portugueses a viver fora do país, sobretudo em França, Alemanha, Luxemburgo e Estados Unidos.
A maior parte deles emigrou por motivos económicos, ou por motivos políticos, como nos anos sessenta do século passado, durante a Ditadura de Salazar.
Mísia – fadista portuguesa

Mísia, nome artístico de Susana Maria Alfonso de Aguiar nasceu no Porto em 18 de junho de 1955.
Uma fadista portuguesa, Mísia é uma poliglota. Apesar de cantar sobretudo fado, tem já cantado algumas das suas canções em espanhol, francês, catalão, inglês e até japonês.
A herança portuguesa (por parte do pai) e catalã (da mãe) de Mísia criou uma voz e presença de palco únicas no mundo do fado.
Mísia desenvolveu um novo estilo ao modernizar o fado, combinando os instrumentos tradicionais (guitarra clássica e guitarra portuguesa) com a sensualidade do acordeão e do violino.
O seu primeiro álbum foi editado em 1990 e foi muito bem recebido, tanto em Portugal como fora do país, sobretudo em França. No seu segundo álbum, ouve-se até a harpa, acompanhada de alguma da maior poesia portuguesa.
O fado Música Portuguesa com Alma