Origens…

Todos nós conhecemos o Fado, música além-fronteiras, conhecida por todo o mundo, divulgada por conhecidos e desconhecidos, como se um estado de alma se tratasse…mas de onde surgiu?

De onde surgiu, não há certezas, mas crenças populares apontam o seu primórdio num cântico de mouros aquando da sua ocupação do nosso território, apesar de não haver qualquer tipo de registo até ao séc. XIX. Outras crenças baseiam-se na variação da xácara, pequenas narrativas populares em verso. E por aí fora… Concluindo, não há qualquer consenso relativo a esta matéria, sabemos apenas que toda a riqueza da cultura popular portuguesa, talvez do misto de culturas românticas existentes na sociedade do final do séc. XIX, que nos trouxe esta “estranha forma de vida”.

Lisboa, 1840… Nas prósperas ruas, começava-se a ouvir o “Fado do marinheiro”, cantado pelos marinheiros nas proas de seus navios. Com o começo do Fado, surgem os primeiros fadistas, com uma personalidade e vestes não convencionais. Foi o boom desta forma musical de expressão portuguesa. Uma riqueza extrema de versos criteriosamente elaborados, com uma complexidade rítmica que transmite uma melodia capaz de fazer magia: transmitir a inquietação e mágoas de um povo, ao mesmo tempo das suas esperanças e expectativas.

Praticamente por toda a Lisboa, por todos os cantos das Casas de Fados espalhadas pela Madragoa, Mouraria, Bairro Alto e Alfama, ouviam-se fadistas a cantar tragédias, saudades, o sofrimento, o choro, o destino, o amor, a dor, o ciúme, amores perdidos, amores que partiram, amores que ficam inquietos no coração…

E se desde cedo o fado foi associado a uma vida boémia e de vadiagem, nos bairros mais pobres da cidade, após a propagação e vulgarização deste género musical na rádio, teatro e cinema, todo o público teve acesso à mesma e esta tornou-se uma referência e ex-libris português…

Surgem então, os Fadistas profissionais, o associar do Fado ao convívio e partilha, o choro das guitarras clássicas e portuguesas e o reconhecimento pelo resto do Mundo…

Para concluir, o fado é agora considerado “Património Cultural e Imaterial da Humanidade”, declarado pela Unesco, em Bali, na Indonésia, em novembro de 2011.