A famosa fadista Ana Moura, consagrada como a maior fadista do séc. XXI, sendo a mais premiada e recordista de vendas em Portugal, nasceu em Santarém, em 17 de Setembro de 1979. Com o nome completo de Ana Cláudia Moura Pereira, aos seis anos já cantava o Cavalo Russo, mas foi na adolescência que começou a frequentar a Academia dos Amadores de Música de Carcavelos. O gosto pela música já vinha de família, pois a sua mãe gostava muito de cantar em festas familiares.
Ana Moura – o fado, a sua alma e a sua voz
Ana Moura – o fado, a sua alma e a sua voz – destino ousado para o Fado, fado com mundo. Inspirou-se desde o início no exemplo de Amália Rodrigues, a cantora reverenciada que mais personificava o estilo. “Era a sua alma e a sua voz”
Na verdade, não há outra voz atualmente no fado como a de Ana Moura. Uma voz que vagueia livremente pela tradição, alargando o leque da canção lisboeta de uma forma muito pessoal. Mas a distinção não é somente um tom baixo e sensual, Ana Moura acaba por transformar de modo instantâneo em fado qualquer melodia que a sua voz toque.
Moura faz parte de uma nova geração de fadistas que abordam questões contemporâneas.
Pode ser referido um fado com mundo.

Apesar do interesse pelo fado, Ana Moura participou numa banda de covers de pop/rock, os Sexto Sentido, juntamente com colegas de escola. No entanto, tendo o fado a arder no seu peito, certo dia, num bar em Carcavelos, Ana Moura canta um fado e encantou tudo e todos… Encantou principalmente o guitarrista António Parreira que a apresentou a Maria da Fé e Jorge Fernando. A partir daí, surgem aparições na televisão, o seu primeiro álbum “Guarda-me a vida na mão (2003)”, crónicas sobre esta nova voz encantadora de Portugal, e com os seguintes álbuns “Aconteceu (2004)” e “Para além da saudade” (2007)”, esta tornou-se muito querida pelo povo português e dos países lusófonos, com vendas superiores a 55 mil unidades.
Ana Moura realizou várias parcerias com músicos muito famosos, tal como Mick Jagger e Prince.
Vários concertos, novos álbuns, a sua beleza, verdade, sinceridade e voz ardente, catapultam Ana Moura para o estrelado, tendo esta recebido o Prémio Amália de melhor intérprete em 2008.
Os álbuns seguintes, continuaram a vender platina e Ana Moura, torna-se mundialmente famosa, tendo esta feito digressões mundiais.
A 17 de Março de 2011, Ana Moura foi nomeada para “Best Artist Of The Year”, um dos importantes prémios da prestigiada revista inglesa de música Songlines.
Em novembro de 2012 é lançado o quinto disco da cantora, chamado “Desfado”. O álbum acaba por ser um sucesso sem precedentes, permanecendo no primeiro lugar do Top 30 de Portugal por bastante tempo. A 27 de janeiro de 2015 foi eleita Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.
A nível pessoal, Ana Moura pertence ao grupo das mulheres solteiras e descomprometidas desde final do ano transato, após término do romance com Rúben da Cruz. A fadista admitiu que se sente feliz sozinha e assim pode dedicar-se a 100% à sua vida profissional e à sua linha de jóias.
Bibiografia
Ana Cláudia Moura Pereira, mais conhecida como Ana Moura, nasceu a 17 de setembro de 1979 em Santarém, uma movimentada capital da província do Ribatejo, no centro do coração de Portugal no rio Tejo a nordeste de Lisboa.
A cidade de cerca de meio milhão de pessoas é igualmente conhecida como uma das cidades mais históricas de Portugal – um local ideal para desenvolver o gosto pelo fado.
Cresceu numa família com gosto pelo canto. Qualquer motivo para uma reunião familiar terminava com uma celebração em forma de música. Embora cantasse de tudo, Ana já começava a sentir que, por algum motivo, tinha um gosto especial pelo fado.
Desde criança já cantaria o seu 1.º fado, “Cavalo Ruço”, e ao mesmo tempo ouvia com frequência a sua mãe a cantar o “Xale da minha mãe”.
Veio depois a adolescência e o fado adormeceu. Tendo despertado para outros tipos de música, mais de acordo com a idade e amizades legais.
Cantores como Fausto, José Afonso, Ruy Mingas, música angolana e fado. Seria o que se costuma cantar nas noites da família Moura em Coruche, em que Ana Moura era, nessa altura, somente uma catraia.
Mas a título de curiosidade por outras canções, e aquando da sua adolescência Ana Moura, com 14 anos chega a Carcavelos. Não o suficiente para cantar, mas para estudar, tendo-se matriculando no Academy of Music Amateurs.
Por sua conta, e de forma rápida a voz de Ana Moura aderiu ao disco fadista, mesmo com grupos de rock, “Gente que Lavas no Rio”, de Amália, nesta fase a sua máxima referência como intérprete.
De mencionar que a experiência com o Sexto Sentido, levou Ana Moura ao início das gravações de um álbum pop/rock com o músico Luís Oliveira, com o lançamento que fez parte da Agenda da Multinacional Universal.
Carreira
O destino de Ana Moura entra em cena e leva-a um bar de Carcavelos onde a mesma cede à tentação e canta um fado. O guitarrista António Parreira, que se encontrava na sala fica deveras impressionado, leva-a pela mão a várias casas de fado.
A co-proprietária da prestigiada casa de fado Senhor Vinho, Maria da Fé, acabou por não resistir a tanto talento.
Esta paixão manifesta-se de tal forma que depressa conquista Miguel Esteves Cardoso (MEC), após a ter ouvido e de a ver atuar num espetáculo de António Pinto Basto na RTP1 chamado “Fados de Portugal”.
E mesmo depois de ler as palavras arrebatadas do MEC no Independent que Tozé Brito, administrador da Universal, vai ao Senhor Vinho para descobrir aquela voz que só conheceu do Sexto Sentido.
Não demorará muito para que se proponha a gravar o primeiro disco. Para a produção do álbum de estreia, Keep Me Life in Hand (2003) – Guarda-me A Vida Na Mão.
A cumplicidade entre os dois permanecerá nos discos seguintes. A partir daí, é evidente que o fado de Ana Moura tem uma elasticidade rara, contando com a participação de pessoas como os Ciganos d’Ouro e Pedro Jóia, e instrumentos com o cajon e a guitarra flamenca.
Mas o essencial permanece intocado: a tradição não vai embora. A receção, crítica e pública, o Guard Me Life in the Hand é entusiasta e não deixa dúvidas e Ana Moura começa de imediato a tornar-se uma presença recorrente na cena portuguesa e, progressivamente, também na internacional.
Acontecido em 2004, é a continuação lógica do álbum de estreia. Sendo um álbum duplo, revela uma ambição surpreendente por parte da cantora, enquanto com uma confiança assombrosa a certeza do seu percurso: a convivência natural entre o fado mais apegado à tradição e uma forma de viver muito pessoal e convicta, exigem-lhe contemporaneidade.
A sua carreira principia a ganhar tal dimensão que a fadista acaba por abandonar a Senhor Vinho, de forma a poder responder aos imensos convites que recebe para tocar no estrangeiro.
Esta lacuna é posteriormente colmatada com a integração do elenco de uma nova casa de fado em Alfama, denominada Casa de Linhares – Molho de Bacalhau.
Em fevereiro de 2005, a sua internacionalização leva-a se apresentar no mítico Carnegie Hall em Nova York.
A nível mudial, o saxofonista dos Rolling Stones, Tim Ries entra, na Tower Records de Tóquio na procura de discos de Fado, já com a ideia de incluir um fadista no segundo volume do Rolling Stones Project, projecto que liderou que convida pessoas de outras marés musicais a interpretar temas dos Stones em colaboração com um dos músicos históricos da banda.
Ele compra três CDs no escuro, por puro instinto, e foi amor ao ouvir pela primeira vez. Para o álbum, Ana grava “Brown Sugar” e “No Expectations”. Ao vivo, este último joga com os Stones no Estádio Alvalade XXI.
As digressões de Ana Moura e dos Rolling Stones coincidem nos mesmos locais. Num deles, em São Francisco, Ries liga para a fadista e mostra-lhe a canção que escreveu a pensar na sua voz. “Velho Anjo”, seria o próximo disco de Ana Moura, Para além da Saudade (2007), depois de ter sido “distanciada” por um arranjo de Jorge Fernando.
Um dos pontos fortes do Para além da Saudade, seria, aliás, a rara participação de Fausto num álbum estrangeiro. Ana, que cresceu a ouvir o autor de “By This River Up”, perdeu a vergonha e pediu uma composição. Outra das autoras convidadas, desta vez escrevendo expressamente para ela, foi Amelia Muge.
O intercâmbio com outras culturas ocorreu então num dueto com a histórica cantora espanhola Patxi Andión. Tim Ries, além de autor, que deixaria igualmente o seu saxofone impresso em duas músicas do álbum – “Old Angel” e “Alone with the Night”.
Devido ao tema “Os Búzios” de Jorge Fernando, o sucesso de Para Além da Saudade teve de subir a níveis únicos na carreira de Ana Moura, acabando por viver dois grandes momentos de consagração em Portugal através da sua atuação nos Coliseus de Lisboa e do Porto.
Após o enorme sucesso de Para além da Saudade – 70 semanas na parada de bestsellers quando o quarto álbum chega às lojas – a edição Leva-me aos Fados (2009) é quase imediatamente saudada com o prémio de platina.
Como habitualmente, é produzida por Jorge Fernando e traz letras de Tozé Brito, Manuela de Freitas, Mario Rainho e Nuno Miguel Guedes, bem como uma composição original de José Mário Branco.
O álbum traz mais uma criação encomendada pela inventividade de Amélia Muge. “Não um Fado Normal” com a participação dos gaiteiros lisboetas e marca o percurso distinto do fadista, aliás evidente no próprio título.
Em 2008 Ana foi convidada ao palco com os Rolling Stones, para 30.000 pessoas em Lisboa e em 2010 actuou com Prince no Festival Super Rock de Lisboa.
Ou seja, em 18 de julho de 2010, Ana Moura coloca o Fado de volta num grande show pop / rock ao subir ao palco com Prince no bis do concerto do músico no Festival Super Bock Super Rock do Meco. Juntos interpretam uma versão portuguesa de “Walk in Sand” e o tradicional fado “I Will Drink from Pain”.
Ana Moura aceitou em setembro de 2010, o convite da Frankfurt Radio Bigband para cantar em dois concertos na cidade alemã, sendo repetida a parceria.
2011, no regresso aos Coliseus de Lisboa e Porto, que para Ana Moura, é uma circunstância de comemoração de um ano que ficou marcado pela vitória de um Globo de Ouro, a comparência nas tabelas de topo da Billboard e da Amazon e a nomeação como Artista do Ano pelos prémios da revista inglesa Songlines.
Passados poucos meses, mais concretamente em agosto, Ana Moura subiu ao palco do festival Back2Black, no Rio de Janeiro, em conjunto com Gilberto Gil, com quem toca o “Fado Tropical” de Chico Buarque.
Para 2012, ano em que Ana Moura participou no álbum tributo a Caetano Veloso com uma versão de “Open Windows # 2”, produzida por José Mário Branco, a cantora guarda uma pequena mudança na sua linguagem musical.
Em novembro lança em Portugal o seu 5º álbum original “Desfado”, que representa uma viragem na sua carreira, e apresenta os seus últimos trabalhos em salas esgotadas em Portugal.
Aliás, “Desfado” já é considerado um álbum clássico em Portugal, tendo alcançado o 5º de Platina. Trata-se de um álbum nacional lançado nos últimos 5 anos, mais vendido em Portugal.
O álbum que iria globalizar Ana Moura. Alcançou várias vezes o 1º lugar em Portugal, tendo atingido o número 1 dos tops da World Music em Inglaterra, Espanha e Estados Unidos. “Desfado” reuniu alguns dos melhores compositores da época e o single que lhe dá o nome tornou-se no primeiro fado a tocar nas grandes rádios nacionais. A digressão “Desfado” levou Ana Moura a grandes palcos nacionais e internacionais.
Ana Moura é a artista nacional com a carreira mais forte da atualidade, com cerca de mais de 300.000 álbuns vendidos, mais de uma dezena de prémios, incluindo 2 Globos de Ouro, 2 Prémios Amália, 1 nomeação para o Songlines Music Awards na categoria de Melhor Artista, e ainda com entradas icónicas do Prince, The Rolling Stones, Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Herbie Hancock.
Breve Resumo da Discografia de Ana Moura
| Título | Detalhes |
| Guarda-me A Vida Na Mão | Lançamento: 2003 Gravadora: Mercury Records |
| Aconteceu | Lançamento: 2004 Rótulo: World Village |
| Para Além da Saudade | Lançamento: 15 de agosto de 2007 Gravadora: World Village |
| Leva-me aos Fados | Lançamento: 12 de outubro de 2009 Gravadora: World Village |
| Desfado | Lançamento: 12 de novembro de 2012 Gravadora: Universal Records |
| Moura | Lançamento: 2015 Gravadora: Clássicos da Universal Music |
O fado Música Portuguesa com Alma